O tempo também passa quando estamos apenas dando conta
Sobre os anos que escorrem entre tarefas, agendas e obrigações.

Durante muitos anos eu acreditei que estar ocupada era estar viva. Que a agenda cheia era uma evidência de relevância, e que cumprir tudo aquilo que era esperado de mim — como filha, como profissional, como mãe — bastava para chamar aquilo de vida.
Demorei a perceber que existe um tipo de tempo que não pesa, mas também não permanece. Ele passa pelos dias sem deixar marca. Cumpre-se. Resolve-se. Risca-se da lista. E um dia, na metade de uma quarta-feira qualquer, você levanta os olhos e percebe que já se passaram anos sem que tenha escolhido nada de fato.
Não é a quantidade de coisas vividas que constrói uma vida. É a quantidade de escolhas verdadeiras que conseguimos sustentar dentro dela.
O tempo da execução pura é silencioso. Ele não nos avisa que está indo. Ele nos entrega resultados, entregas, contas pagas, filhos alimentados, e-mails respondidos. E enquanto isso, leva embora algo que talvez tenha mais valor do que tudo o que ele preserva: a oportunidade de viver com intenção.
Reagir é mais barato do que construir
Reagir não exige direção. Basta responder ao que aparece. Construir, por outro lado, exige uma postura que poucas pessoas estão dispostas a sustentar por muito tempo: olhar para o horizonte mesmo quando o presente está pegando fogo.
A vida planejada não é a vida controlada. É a vida que se permite escolher mesmo quando seria mais fácil apenas dar conta. É a vida que ousa perguntar, em meio à correria, se aquilo tudo ainda faz sentido.
“O tempo também passa quando estamos apenas dando conta.”
Maite Vargas